- by Abel João de Melo
Sob o olhar da psicanálise, o amor começa antes do encontro.
1) Atração e união: as pessoas se aproximam movidas por identificações inconscientes, desejos recalcados e pela busca de completar faltas internas. Projetam no outro ideais, traços familiares e promessas de reparação emocional. Apaixonar-se, muitas vezes, é reconhecer no outro algo íntimo, ainda que desconhecido.
2) Separação ao longo do tempo: com a convivência, as idealizações cedem lugar à realidade. O que antes encantava pode revelar conflitos não elaborados. Diferenças de desejo, frustrações e dificuldades de comunicação fazem emergir conteúdos inconscientes que, se não simbolizados, levam ao afastamento. O amor não acaba apenas; ele se transforma, e nem todos conseguem sustentar essa mudança.
3) Permanência até o fim: casais que permanecem tendem a elaborar conflitos, aceitar imperfeições e reconstruir continuamente o vínculo. Há espaço para o desejo, para a escuta e para a individualidade, sem perder o laço.
Considerações finais: Manter uma relação duradoura exige diálogo honesto, capacidade de renunciar a fantasias irreais, respeito às diferenças e disposição para crescer a dois. Amar, no fim, é escolher o outro todos os dias, mesmo diante de eventuais dificuldades.
- Abel João de Melo é Palestrante, Psicanalista, Hipnoterapeuta e Practitioner em PNL
